O Instituto de Reintegração Socio-profissional dos Ex-Militares (IRSEM) anunciou, ontem, em Luanda, que nos últimos três anos foram reintegrados 10.736 ex-militares, dos 80.537 previstos até 2022, apontando “dificuldades de recursos financeiros” para o cumprimento das metas.
Fonte: Jornal de Angola
Segundo o director-geral do IRSEM, Jorge Gunji, a reintegração de 80.537 ex-militares licenciados, no âmbito do processo de paz, foi estabelecida como meta do período 2018-2022, mas, desde 2018 apenas foram reintegrados 10.736.
Em conferência de imprensa, destinada a assinalar o 26º aniversário do IRSEM, Jorge Gunji referiu que, inicialmente foi previsto que o processo de reintegração destes ex-militares absorveria mais de 39 mil milhões de kwanzas, mas "ao longo deste tempo o país foi conhecendo muitas mudanças”.
"No período de 2018 até agora, enquanto aconteciam acções de reintegração sob a égide do IRSEM, no país ocorreram transformações significativas e o processo foi conhecendo uma quebra na sua dinâmica”, afirmou Jorge Gunji. Dos 10.736 ex-militares reintegrados, desde 2018, referiu, 2.501 foram enquadrados por via de acções unilaterais do IRSEM, 1.802 por acções executadas pelo Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP) e 6.433 por distribuição de tractores.
O IRSEM é um instituto público, dotado de personalidade jurídica, com autonomia administrativa e tutelado pelo Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher. Jorge Gunji informou que os quatro acordos, nomeadamente de Bicesse (Estoril, 1991), Protocolo de Lusaka (1994), Memorando de Entendimento do Luena (2002) e o Memorando do Namibe para a Paz e Reconciliação em Cabinda (2006) produziram 291.400 efectivos licenciados das Forças Armadas de Angola.
O director-geral do IRSEM sublinhou, também, que de Julho a Dezembro de 2020 procedeu-se a uma "reactualização das metas controladas, uma espécie de prova de vida do grupo alvo”. "Isto serviria para avaliar o número de ex-militares ainda por reintegrar, atendendo ao prolongado período de gestão do processo, em que muitos deles poderão ter mudado de local de residência, sem registo dos serviços provinciais do IRSEM”, realçou.
"Esta situação poderá estar por trás de alguma cifra empolada em relação àquela que realmente aguarda apoio do programa”, disse o brigadeiro Jorge Gunji. As celebrações do 26º aniversário do Instituto de Reintegração Socio-profissional dos Ex-Militares angolanos decorrem sob o lema "Inclusão Produtiva dos Ex-Militares - Um Factor de Estabilidade das Comunidades.





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